TCC - Licenciatura em Letras (UAST)
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Item Variação lexical em livros didáticos de língua portuguesa do Ensino Fundamental, anos finais, e relação com o preconceito linguístico(2026-05-28) Amorim, Patrícia de Souza; Guimarães, Lílian Noemia Torres de Melo; http://lattes.cnpq.br/7778975209654541; http://lattes.cnpq.br/4498480618382306Este trabalho analisa o tratamento da variação lexical em livros didáticos de Língua Portuguesa destinados aos anos finais do Ensino Fundamental, com foco na identificação de possíveis indícios de preconceito linguístico. Parte-se do pressuposto de que a linguagem constitui uma prática social heterogênea, marcada pela diversidade, e que a escola exerce papel fundamental tanto na reprodução quanto no enfrentamento das diversidades linguística. Nesse contexto, o livro didático, como principal instrumento pedagógico, influencia diretamente a construção de concepções de língua e a formação dos estudantes. A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de natureza documental, com apoio quanti-descritivo para fins comparativos. O corpus é composto pelo livro Português: Linguagens, do 9º ano, amplamente utilizado na rede pública de ensino. O estudo fundamenta-se nos pressupostos da Sociolinguística Variacionista e Sociolinguística Educacional, que compreendem a variação como constitutiva da língua e rejeitam a supremacia da norma-padrão como única forma legítima de uso linguístico. Os resultados evidenciam que, embora o material reconheça a diversidade linguística e apresente exemplos de variação lexical, cuja abordagem ainda ocorre de forma pontual e pouco aprofundada. Observa-se a persistência de práticas que associam variação a erro ou que subordinam variedades populares à norma de prestígio, ainda que de maneira implícita. Por outro lado, identificam-se propostas que valorizam a adequação linguística e incentivam reflexões sobre preconceito linguístico. Conclui-se que o livro didático pode tanto reproduzir quanto combater o preconceito linguístico, a depender das concepções de linguagem que orientam sua elaboração e uso pedagógico. Destaca-se, portanto, a necessidade de uma mediação docente crítica e da produção de materiais que tratem a variação lexical como direito linguístico e ampliação de repertório, contribuindo para uma educação mais inclusiva, democrática e socialmente comprometida.
