Variação lexical em livros didáticos de língua portuguesa do Ensino Fundamental, anos finais, e relação com o preconceito linguístico

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2026-05-28

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Este trabalho analisa o tratamento da variação lexical em livros didáticos de Língua Portuguesa destinados aos anos finais do Ensino Fundamental, com foco na identificação de possíveis indícios de preconceito linguístico. Parte-se do pressuposto de que a linguagem constitui uma prática social heterogênea, marcada pela diversidade, e que a escola exerce papel fundamental tanto na reprodução quanto no enfrentamento das diversidades linguística. Nesse contexto, o livro didático, como principal instrumento pedagógico, influencia diretamente a construção de concepções de língua e a formação dos estudantes. A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de natureza documental, com apoio quanti-descritivo para fins comparativos. O corpus é composto pelo livro Português: Linguagens, do 9º ano, amplamente utilizado na rede pública de ensino. O estudo fundamenta-se nos pressupostos da Sociolinguística Variacionista e Sociolinguística Educacional, que compreendem a variação como constitutiva da língua e rejeitam a supremacia da norma-padrão como única forma legítima de uso linguístico. Os resultados evidenciam que, embora o material reconheça a diversidade linguística e apresente exemplos de variação lexical, cuja abordagem ainda ocorre de forma pontual e pouco aprofundada. Observa-se a persistência de práticas que associam variação a erro ou que subordinam variedades populares à norma de prestígio, ainda que de maneira implícita. Por outro lado, identificam-se propostas que valorizam a adequação linguística e incentivam reflexões sobre preconceito linguístico. Conclui-se que o livro didático pode tanto reproduzir quanto combater o preconceito linguístico, a depender das concepções de linguagem que orientam sua elaboração e uso pedagógico. Destaca-se, portanto, a necessidade de uma mediação docente crítica e da produção de materiais que tratem a variação lexical como direito linguístico e ampliação de repertório, contribuindo para uma educação mais inclusiva, democrática e socialmente comprometida.

Resumo em outro idioma

This study analyzes the treatment of lexical variation in Portuguese language textbooks intended for the final years of Elementary Education, focusing on the identification of possible indications of linguistic prejudice. It is based on the assumption that language constitutes a heterogeneous social practice marked by diversity and that schools play a fundamental role both in the reproduction and in the confrontation of linguistic prejudice. In this context, the textbook, as a major pedagogical tool, directly influences the construction of conceptions about language and the education of students. The research is characterized as qualitative, documentary in nature, with quantitative-descriptive support for comparative purposes. The corpus consists of the textbook Português: Linguagens, used in public schools. The study is grounded in Variationist Sociolinguistics and Educational Sociolinguistics, which understand variation as an inherent feature of language and reject the supremacy of the standard norm as the only legitimate form of linguistic use. The results show that, although the material recognizes linguistic diversity and presents examples of lexical variation, the treatment of linguistic variation remains limited and insufficiently explored. It was also observed that some practices still associate variation with error or subordinate non-standard varieties to prestigious norms, even if implicitly. Therefore, the study highlights the need for pedagogical approaches that value linguistic diversity and contribute to reducing linguistic prejudice in the school environment.

Descrição

Referência

AMORIM, Patrícia de Souza. Variação lexical em livros didáticos de língua portuguesa do ensino fundamental, anos finais, e relação com o preconceito linguístico. 2026. 43 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Letras) – Unidade Acadêmica de Serra Talhada, Universidade Federal Rural de Pernambuco, Serra Talhada, 2026.

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