Causalidade de Granger entre índice de preços e os agregados monetários

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2026-07-07

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O presente trabalho investiga a direção da relação de causalidade entre os agregados monetários (M0, M1 e M2) e a inflação no Brasil, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), no período de janeiro de 2002 a dezembro de 2025. O recorte temporal abrange a economia brasileira já sob o regime de metas de inflação consolidado no período pós-Plano Real e compreende episódios recentes de grande relevância monetária, como o choque pandêmico de 2020, o ciclo inflacionário de 2021–2022 e o subsequente aperto da política monetária. A análise parte da hipótese de que, nesse contexto, a relação entre moeda e preços não se apresenta de forma estritamente unidirecional, conforme postulado pela Teoria Quantitativa da Moeda, admitindo-se a possibilidade de causalidade bidirecional ou de endogeneidade monetária. Busca-se, assim, identificar a direção da transmissão entre os agregados monetários — do papel-moeda e das reservas bancárias (M0) aos meios de pagamento (M1) e à liquidez ampla (M2) — e a inflação, verificando se predomina a transmissão da moeda para os preços, o sentido inverso ou uma dinâmica bidirecional. Para tanto, utiliza-se a metodologia de Vetores Autorregressivos (VAR), complementada por testes de Causalidade de Granger, aplicados a séries mensais obtidas junto ao Banco Central do Brasil e ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O teste de Dickey-Fuller Aumentado classificou os agregados monetários como integrados de ordem um — I(1) — e o IPCA como estacionário em nível — I(0). O modelo VAR foi estimado com doze defasagens, selecionadas pelo Critério de Informação de Akaike, com todas as séries em primeiras diferenças; como o IPCA já expressa a variação mensal dos preços, sua primeira diferença (ΔIPCA) mede a variação da inflação — isto é, sua aceleração ou desaceleração —, e não o nível. Os testes de Causalidade de Granger indicam que todos os agregados monetários causam, no sentido de Granger, as demais variáveis do sistema, e a análise da equação da inflação mostra que M0, M1 e M2 exercem efeito significativo sobre a variação da inflação, com estruturas de defasagens distintas. A variação da inflação também apresentou causalidade de Granger sobre os agregados monetários, configurando uma relação de bidirecionalidade. Esses resultados são consistentes com a hipótese de endogeneidade da moeda e com o comportamento do Banco Central sob o regime de metas de inflação, no qual a política monetária reage às pressões inflacionárias observadas.

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This study investigates the direction of the causal relationship between monetary aggregates (M0, M1, and M2) and inflation in Brazil, measured by the Broad Consumer Price Index (IPCA), for the period from January 2002 to December 2025. The time frame covers the Brazilian economy already under the inflation targeting regime consolidated in the post-Real Plan period, encompassing recent episodes of major monetary relevance, such as the 2020 pandemic shock, the 2021–2022 inflationary cycle, and the subsequent monetary policy tightening. The analysis departs from the hypothesis that, in this context, the relationship between money and prices does not follow a strictly unidirectional pattern as postulated by the Quantity Theory of Money, admitting the possibility of bidirectional causality or monetary endogeneity. It thus seeks to identify the direction of transmission between the monetary aggregates — from currency and bank reserves (M0) to means of payment (M1) and broad liquidity (M2) — and inflation, verifying whether transmission from money to prices, the reverse direction, or a bidirectional dynamic prevails. To this end, a Vector Autoregressive (VAR) model is employed, complemented by Granger Causality tests, applied to monthly series obtained from the Central Bank of Brazil and the Brazilian Institute of Geography and Statistics. The Augmented Dickey-Fuller test classified the monetary aggregates as integrated of order one — I(1) — and the IPCA as stationary in levels — I(0). The VAR model was estimated with twelve lags, selected by the Akaike Information Criterion, with all series in first differences; since the IPCA already expresses the monthly variation in prices, its first difference (ΔIPCA) measures the change in inflation — that is, its acceleration or deceleration — rather than its level. The Granger Causality tests indicate that all monetary aggregates Granger-cause the remaining variables in the system, and the analysis of the inflation equation shows that M0, M1, and M2 have significant effects on the change in inflation, with distinct lag structures. The change in inflation also exhibited Granger causality over the monetary aggregates, configuring a bidirectional relationship. These findings are consistent with the hypothesis of monetary endogeneity and with the behavior of the Central Bank under the inflation targeting regime, in which monetary policy reacts to observed inflationary pressures.

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Referência

SILVA, Adriano Lira da. Causalidade de Granger entre índice de preços e os agregados monetários. 2026. 55 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Ciências Econômicas) - Departamento de Economia, Universidade Federal Rural de Pernambuco, Recife, 2026.

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