Cor sob suspeita: abordagem policial como forma de controle de corpos negros
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2026-07-15
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Este trabalho analisa as discussões sobre a violência e a seletividade policial contra jovens negros no Recife, investigando como essa população interpreta e significa as abordagens em seus cotidianos. O objetivo central consiste em compreender as percepções de jovens negros alvos de abordagens policiais na capital pernambucana, analisando a construção da “fundada suspeita” e de que maneira essas interações interferem na construção de suas identidades e nas suas rotinas urbanas. Historicamente, a segurança pública no Brasil possui raízes ligadas à manutenção da ordem escravocrata, herança que se reflete na construção contemporânea do “suspeito padrão” e nos altos índices de letalidade racial no estado. Metodologicamente, adotou-se uma abordagem qualitativa exploratória baseada em amostragem por conveniência, utilizando entrevistas qualitativas semiestruturadas e registros em caderno de campo com cinco estudantes universitários negros de diferentes bairros das Zonas Norte e Oeste do Recife. A análise dos dados deu origem a três eixos estruturantes: o estigma da cor, a territorialidade da suspeição, e as táticas de sobrevivência e policiamento. Os resultados revelam que as abordagens policiais (popularmente conhecidas como “baculejos”) geram profundos impactos psicossociais e traumas subjetivos, como sentimento de revolta e medo. Diante do perfilamento racial, os jovens desenvolvem estratégias hipervigilantes de sobrevivência urbana, alterando suas vestimentas, posturas e rotas, sugerindo que, no modelo de policiamento ostensivo, a cor da pele tende a se sobrepor à conduta.
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This paper analyzes the discussions surrounding police violence and selectivity against young black men in Recife, investigating how this population interprets and assigns meaning to police stops in their daily lives. The main objective is to understand the perceptions of young black individuals who are targets of police interventions in the capital of Pernambuco, analyzing the construction of “grounded suspicion” and how these interactions interfere with the construction of their identities and urban routines. Historically, public security in Brazil has roots linked to the maintenance of the slave-owning order, a legacy reflected in the contemporary construction of the “standard suspect” and the high rates of racial lethality in the state. Methodologically, a qualitative exploratory approach based on convenience sampling was adopted, utilizing semi-structured qualitative interviews and field diaries with five black university students from different neighborhoods in the North and West Zones of Recife. The data analysis led to three structured axes: the stigma of color, the territoriality of suspicion, and survival tactics and policing. The results reveal that police stops (popularly known as “baculejos”) generate profound psychosocial impacts and subjective traumas, such as feelings of outrage and fear. Faced with racial profiling, young people develop hyper-vigilant urban survival strategies, changing their clothing, posture, and routes, showing that within the ostensive policing model, skin color precedes behavior.
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BARROS, Maria Eduarda Barbosa de. Cor sob suspeita: abordagem policial como forma de controle de corpos negros. 2026. 51 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Ciências Sociais) - Departamento de Ciências Sociais, Universidade Federal Rural de Pernambuco, Recife, 2026.
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