“Síndrome de capitão do mato”: continuidades do racismo estrutural e da violência policial no Brasil

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2026-07-15

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Esse trabalho investiga como a categoria “síndrome do capitão do mato” mobilizada por Ana Flauzina pode ser utilizada enquanto chave interpretativa para compreender permanências do racismo estrutural e da violência policial no Brasil contemporâneo. Inserida no campo da sociologia da violência em diálogo com a sociologia do crime, o trabalho adota uma abordagem teórico-analítica, fundamentando-se em revisão bibliográfica dos eixos temáticos mobilizados em cada capítulo, na interpretação crítica da literatura especializada e na contextualização por meio de dados secundários produzidos entre 2012 e 2025. A análise articula contribuições dos estudos sobre colonialidade, racismo estrutural, violência policial e segurança pública para investigar a categoria “síndrome de capitão do mato” para além de interpretações moralizantes, compreendendo-a como instrumento analítico capaz de evidenciar processos de incorporação e instrumentalização de sujeitos negros na Polícia militar brasileira. As considerações indicam que a incorporação dos policiais militares negros à base operacional da instituição não rompe com as vulnerabilidades produzidas pelo racismo, revelando posições marcadas por profundas contradições, nas quais trabalhadores negros exercem autoridade institucional sem que deixem de ser submetidos às mesmas estruturas que distribuem diferencialmente a violência e a exposição à morte. Conclui-se que a categoria possui relevante potencial analítico para compreensão as relações entre Estado, colonialidade, racismo estrutural e segurança pública, deslocando a análise da responsabilização exclusivamente individual para as racionalidades históricas e institucionais que organizam a violência.

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This study investigates how the concept of the "Capitão do Mato Syndrome" (the concept of the 'Capitão do Mato Syndrome', referring to the colonial slave catcher) proposed by Ana Flauzina can be employed as an interpretative framework for understanding the persistence of structural racism and police violence in contemporary Brazil. Situated within the field of the sociology of violence and in dialogue with the sociology of crime, the research adopts a qualitative, theoretical-analytical approach based on a systematic literature review of the thematic axes addressed in each chapter, a critical interpretation of specialized literature, and the contextualization of secondary empirical data produced between 2012 and 2025. The analysis brings together contributions from studies on coloniality, structural racism, police violence, and public security to examine the "Capitão do mato syndrome" beyond moralizing interpretations, understanding it as an analytical tool capable of revealing processes through which Black individuals are incorporated into and instrumentalized within the Brazilian Military Police. The findings indicate that the incorporation of Black military police officers into the operational ranks of the institution does not eliminate the vulnerabilities produced by structural racism. Instead, it reveals positions marked by profound contradictions, in which Black workers exercise institutional authority while remaining subject to the same structures that differentially distribute violence and exposure to death. The study concludes that this analytical category offers significant potential for understanding the relationships among the State, coloniality, structural racism, and public security by shifting the analysis from exclusively individual accountability toward the historical and institutional rationalities that organize state violence.

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Referência

SANTOS, Lílian Glaucia Nascimento dos. “Síndrome de capitão do mato”: continuidades do racismo estrutural e da violência policial no Brasil. 2026. 62 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Ciências Sociais) - Departamento de Ciências Sociais, Universidade Federal Rural de Pernambuco, Recife, 2026.

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