Fios de autonomia: o ofício do crochê como prática de resistência e construção de independência financeira entre jovens mulheres
Data
2026-07-09
Autores
Lattes da Autoria
Orientação Docente
Lattes da Orientação Docente
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Resumo
O artigo analisa o crochê como trabalho feminino atravessado por gênero, valor e circulação social, mostrando de que forma essa prática pode gerar autonomia financeira e também reproduzir precarização. A pesquisa, de caráter qualitativo, foi realizada com entrevistas semiestruturadas com seis artesãs de Recife e da Região Metropolitana, e articula as falas ao debate feminista sobre divisão sexual do trabalho e sobre a fronteira entre produção e reprodução da vida. A partir de Danièle Kergoat e Helena Hirata, o estudo mostra que o crochê é frequentemente desvalorizado por ser associado ao doméstico e ao “natural” feminino; com Tim Ingold, entende o fazer artesanal como processo relacional entre corpo, material e tempo; com Alfred Gell, analisa as peças como agentes sociais que prolongam a presença e a autoria das artesãs; e, com James C. Scott, interpreta o crochê também com a concepção de resistência cotidiana e micropolítica. Este artigo estuda como o aprendizado é construído socialmente, por observação, prática e circulação de saberes, e como a comercialização do crochê envolve precificação, visibilidade digital e negociação de reconhecimento. Entendendo que o crochê não é apenas passatempo ou ornamento, mas um campo de tensão entre autonomia e sobrecarga, em que mulheres produzem renda, vínculos e presença social, embora ainda enfrentem baixa remuneração, desvalorização e compressão do tempo de trabalho.
Resumo em outro idioma
This article analyzes crochet as a form of women's work shaped by gender, value, and social circulation, demonstrating how the practice can generate financial autonomy while also reproducing precariousness. This qualitative study involved semi-structured interviews with six craftswomen from Recife and Metropolitan Region, linking their narratives to feminist debates regarding the sexual division of labor and the boundary between production and the reproduction of life. Drawing on Danièle Kergoat and Helena Hirata, the study shows that crochet is often devalued due to its association with the domestic sphere and the "natural" feminine; following Tim Ingold, it understands the craft process as a relational interaction between body, material, and time; with Alfred Gell analyzes the finished pieces as social agents that extend the craftswomen's presence and authorship; and using James C. Scott’s framework interprets crochet through the lens of everyday resistance and micropolitics. The article examines how the learning is socially constructed through observation, practice, and the circulation of knowledge, and how the commercialization of crochet entails pricing, digital visibility, and the negotiation of recognition. It posits that crochet is neither merely a pastime nor an ornament, but a site of tension between autonomy and overburdening, where women generate income, social bonds, and a social presence, even while contending with low pay, devaluation, and the compression of working time.
Descrição
Referência
BRITO, Anna Julia Reis de. Fios de autonomia: o ofício do crochê como prática de resistência e construção de independência financeira entre jovens mulheres. 2026. 34 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Ciências Sociais) - Departamento de Ciências Sociais, Universidade Federal Rural de Pernambuco, Recife, 2026.
Identificador dARK
Avaliação
Revisão
Suplementado Por
Referenciado Por
Licença Creative Commons
Exceto quando indicado de outra forma, a licença deste item é descrita como openAccess

