Gestão socioambiental nas margens: reflexões a partir de quarto de despejo de Carolina Maria de Jesus
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2026-07-17
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Resumo
O presente ensaio teórico-crítico analisa como a leitura territorial de Quarto de Despejo: diário de uma favelada, de Carolina Maria de Jesus, pode contribuir para a compreensão dos limites da gestão socioambiental diante da fome, da precariedade urbana e do desperdício de alimentos. O argumento central sustenta que a insegurança alimentar não decorre apenas da insuficiência de recursos, mas de arranjos institucionais e territoriais que restringem capacidades, distribuem desigualmente os custos socioambientais e excluem determinados grupos dos processos decisórios. A reflexão articula a abordagem das capacidades de Amartya Sen, a governança institucional de Elinor Ostrom, a análise do trabalho reprodutivo de Silvia Federici, a interseccionalidade e a ecologia política. Metodologicamente, adota-se o ensaio teórico conforme Meneghetti (2011), utilizando a obra de Carolina Maria de Jesus como fonte literária e saber situado, sem equipará-la aos procedimentos de validação próprios do conhecimento acadêmico-científico. Como alternativa de enfrentamento, propõe-se uma Rede Territorial de Governança Alimentar, baseada no diagnóstico local, na participação das comunidades, na articulação entre poder público, organizações sociais e estabelecimentos alimentares e no acompanhamento da redistribuição de alimentos. Conclui-se que a gestão socioambiental precisa considerar as condições concretas dos territórios e ampliar a participação das populações afetadas, sem romantizar as estratégias utilizadas para sobreviver à pobreza e à exclusão.
Resumo em outro idioma
This theoretical-critical essay analyzes how a territorial reading of Quarto de Despejo: diário de uma favelada, by Carolina Maria de Jesus, can contribute to understanding the limitations of socioenvironmental management in the face of hunger, urban precariousness and food waste. The central argument is that food insecurity does not result only from insufficient resources, but also from institutional and territorial arrangements that restrict capabilities, distribute socioenvironmental costs unequally and exclude certain groups from decisionmaking processes. The discussion articulates Amartya Sen’s capability approach, Elinor Ostrom’s institutional governance, Silvia Federici’s analysis of reproductive labor, intersectionality and political ecology. Methodologically, the study adopts the theoretical essay approach proposed by Meneghetti (2011), using Carolina Maria de Jesus’s work as a literary source and situated knowledge, without equating it with the validation procedures of academic and scientific knowledge. As an alternative, the essay proposes a Territorial Food Governance Network based on local diagnosis, community participation, coordination among public authorities, social organizations and food establishments, and the monitoring of food redistribution. It concludes that socioenvironmental management must consider the concrete conditions of territories and expand the participation of affected populations without romanticizing the strategies used to survive poverty and exclusion.
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MAGALHÃES, José Henrique Santos . Gestão socioambiental nas margens: reflexões a partir de quarto de despejo de Carolina Maria de Jesus. 2026. 22 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Administração) – Unidade Acadêmica de Serra Talhada, Universidade Federal Rural de Pernambuco, Serra Talhada, 2026.
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