Navegando por Assunto "Variação lexical"
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Item Fraseologismos dos ciclos da vida nos dados do Projeto Atlas Linguístico do Brasil: uma análise dialetológica e semântico-lexical de raspa de tacho(2024-10-01) Alves, Lígia Sotero; Paim, Marcela Moura Torres; http://lattes.cnpq.br/7491110175871163; http://lattes.cnpq.br/9945809150167482O presente estudo tem como objetivo descrever e analisar o fraseologismo raspa do tacho, e suas variações, numa perspectiva dialetal, fraseológica e semântico - lexical, tendo em vista uma abordagem semântico - lexical, sob um viés cognitivo. Para tanto, lançamos mão dos dados do Projeto Atlas Linguístico do Brasil - ALiB, fazendo uso dos seus pressupostos teórico - metodológicos, descritos por Cardoso (2010) e Paim (2019), assim como da sua rede de pontos, para constituição do corpus utilizado. No recorte feito, foram considerados 38 municípios, que constituem os pontos localizados no estado de São Paulo. Nessas localidades, foram recolhidas, in loco, a fala de 152 informantes, que estavam divididos em duas faixas - etárias, 18 a 30 anos e 50 a 65 anos, e entre homens e mulheres. Esses informantes possuíam nível de escolaridade fundamental, com exceção da capital do estado, na qual foram considerados, também, informantes do nível de escolaridade universitário. A partir dos dados coletados, foram identificadas 186 lexias, entre as quais destacamos sua produtividade e a ocorrência das estruturas fraseológicas raspa, resto e fundo do tacho. A difusão dos fraseologismos identificados no espaço geográfico permitiu a formação de uma possível subárea dialetal. Além disso, foi possível analisar a construção dessas estruturas, tendo em vista o seu caráter polilexical, sua idiomaticidade, congruência e relativa fixidez, de acordo com as proposições da vertente francesa dos estudos fraseológicos (Mejri, 2002), (Paim; Sfar; Mjeri, 2018) e (Paim, 2020). Por fim, discutimos a construção dessa expressão numa perspectiva do processo de formação de metáforas, que se fazem presentes na linguagem cotidiana dos indivíduos, tomando como base os pressupostos teóricos da semântica cognitiva (Lakoff; Johnson, 2009 [1986]), ( Hilferty, 1993) e (Ferrari, 2022).Item Variação lexical em livros didáticos de língua portuguesa do Ensino Fundamental, anos finais, e relação com o preconceito linguístico(2026-05-28) Amorim, Patrícia de Souza; Guimarães, Lílian Noemia Torres de Melo; http://lattes.cnpq.br/7778975209654541; http://lattes.cnpq.br/4498480618382306Este trabalho analisa o tratamento da variação lexical em livros didáticos de Língua Portuguesa destinados aos anos finais do Ensino Fundamental, com foco na identificação de possíveis indícios de preconceito linguístico. Parte-se do pressuposto de que a linguagem constitui uma prática social heterogênea, marcada pela diversidade, e que a escola exerce papel fundamental tanto na reprodução quanto no enfrentamento das diversidades linguística. Nesse contexto, o livro didático, como principal instrumento pedagógico, influencia diretamente a construção de concepções de língua e a formação dos estudantes. A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de natureza documental, com apoio quanti-descritivo para fins comparativos. O corpus é composto pelo livro Português: Linguagens, do 9º ano, amplamente utilizado na rede pública de ensino. O estudo fundamenta-se nos pressupostos da Sociolinguística Variacionista e Sociolinguística Educacional, que compreendem a variação como constitutiva da língua e rejeitam a supremacia da norma-padrão como única forma legítima de uso linguístico. Os resultados evidenciam que, embora o material reconheça a diversidade linguística e apresente exemplos de variação lexical, cuja abordagem ainda ocorre de forma pontual e pouco aprofundada. Observa-se a persistência de práticas que associam variação a erro ou que subordinam variedades populares à norma de prestígio, ainda que de maneira implícita. Por outro lado, identificam-se propostas que valorizam a adequação linguística e incentivam reflexões sobre preconceito linguístico. Conclui-se que o livro didático pode tanto reproduzir quanto combater o preconceito linguístico, a depender das concepções de linguagem que orientam sua elaboração e uso pedagógico. Destaca-se, portanto, a necessidade de uma mediação docente crítica e da produção de materiais que tratem a variação lexical como direito linguístico e ampliação de repertório, contribuindo para uma educação mais inclusiva, democrática e socialmente comprometida.
