Navegando por Assunto "Preconceitos na literatura"
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Item Uma Discussão sobre o emprego do gerúndio no português brasileiro pela ótica da sociolinguística variacionista(2026-12-02) Alves, Ana Carolina Ferreira; Silva, Cícero Kleandro Bezerra da; http://lattes.cnpq.br/4704043892385371Este trabalho discute a variação linguística no português brasileiro, com foco no uso do gerúndio e nas percepções de preconceito linguístico associadas a essa forma verbal. Parte-se da compreensão de que a língua é dinâmica, heterogênea e condicionada por fatores históricos, sociais e culturais, como demonstram autores como Ilari e Basso (2007), Bagno (2007) e Bortoni-Ricardo (2005). Observa-se que, ao longo dos séculos, o português brasileiro manteve estruturas com gerúndio que foram abandonadas no português europeu, o que contribuiu para que certos usos fossem estigmatizados como ―gerundismo‖ e erroneamente classificados como galicismos por parte das gramáticas normativas. O objetivo principal deste trabalho é discutir sobre a maneira como consolidou-se a estigmatização acerca do gerúndio, considerando essa percepção a partir do preconceito linguístico que ele sofre e tentar compreender como a sociolinguística variacionista pode promover uma educação mais consciente, com o intuito de ao final dessa discussão chegarmos a compreensão de como essa forma verbal pode ser trabalhado nas salas de aula, utilizando da percepção variacionista. A pesquisa, de natureza bibliográfica e qualitativa, utiliza análise bibliográfica de livros, artigos, gramáticas e teses, publicados a partir dos anos 2000, examinando perspectivas sociolinguísticas e descrições gramaticais do gerúndio. Os resultados indicam que o preconceito contra as construções gerundivas deriva, em grande medida, da valorização histórica do português europeu como modelo de prestígio, aliado à crença de que a língua escrita e normatizada deve prevalecer sobre a fala. A análise revela ainda que as perífrases verbais com gerúndio são amplamente produtivas no português brasileiro, constituindo um fenômeno natural de variação linguística, e não um desvio ou ―erro‖. Conclui-se que a sociolinguística variacionista oferece uma perspectiva mais adequada para compreender o uso do gerúndio e suas funções no português brasileiro, contribuindo para um ensino menos prescritivo e mais alinhado às práticas reais dos falantes. O estudo reforça a necessidade de reeducação sociolinguística nas escolas, de modo a combater preconceitos linguísticos, valorizar as variedades existentes no país e promover um ensino de língua portuguesa mais crítico, inclusivo e socialmente consciente.
