Paes, Iêdo de OliveiraSilva, Maria Gabriella da2026-08-282026-06-30SILVA, Maria Gabriella da. O Caderno Rosa de Lori Lamby de Hilda Hilst: erotismo e resistência de mulher. 2026. 16 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Letras) - Departamento de Letras, Universidade Federal Rural de Pernambuco, Recife, 2026.https://arandu.ufrpe.br/handle/123456789/9134Este artigo tem como objetivo analisar O Caderno Rosa de Lori Lamby (1990), de Hilda Hilst, compreendendo a obscenidade presente na obra não como mero recurso provocativo, mas como estratégia estética e política de resistência feminina. Para fundamentar a análise, articulam-se progressivamente os seguintes referenciais teóricos: Almeida (2013), que demonstra como a escrita hilstiana rompe com a "dignidade dos temas" e desestabiliza as hierarquias literárias; Bataille (1987), cujo conceito de transgressão e de "linguagem vil" ilumina o funcionamento do rebaixamento como instrumento de choque; Woolf (1990), que expõe os controles materiais e simbólicos impostos à autoria feminina; Butler (2018), cuja teoria da performatividade de gênero permite compreender como a voz de Lori Lamby subverte as normas de identidade e as "ficções reguladoras" da decência; Foucault (1988), que oferece instrumental para analisar a obra como ato de insubmissão discursiva frente aos dispositivos de poder que regulam o sexo e a linguagem; e Genette (1972), cujas categorias narratológicas de voz homodiegética e focalização interna revelam a manipulação técnica da perspectiva infantil. Metodologicamente, adota-se uma abordagem qualitativa e bibliográfica de caráter analítico-interpretativo, organizada em três etapas: revisão bibliográfica, análise textual e articulação teórico-crítica. Como categorias analíticas centrais, destacam-se a construção da narradora, a ironia como estratégia de protesto e a obscenidade como gesto político. Os resultados demonstram que a obra opera em dupla chave: é simultaneamente narrativa obscena e reflexão metalinguística sobre a própria literatura e o mercado editorial. A personagem Lori Lamby configura-se como construção técnica deliberada que expõe as engrenagens do controle sobre a autoria feminina, revelando que o escândalo da obra não reside em seu conteúdo, mas na lucidez com que transforma a obscenidade em denúncia e a ironia em forma contundente de resistência estética e política.16 f.pt-BRopenAccesshttp://creativecommons.org/licenses/by-nd/4.0/Literatura brasileiraHilst, Hilda (1930-2004)Erotismo na literaturaIronia na literaturaCrítica socialTransgressão literáriaO Caderno Rosa de Lori Lamby de Hilda Hilst: erotismo e resistência de mulherbachelorThesisAttribution-NoDerivatives 4.0 International