UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DE PERNAMBUCO UNIDADE ACADÊMICA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA E TECNOLOGIA CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA DOCÊNCIA E AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM EM TEMPOS DE PANDEMIA NAYLIS CARLA NOGUEIRA DOS SANTOS JÚLIA VICTÓRIA BATISTA DE SALES Trabalho apresentado à Universidade Federal Rural de Pernambuco, como requisito para a conclusão do Curso de Graduação em Licenciatura em Pedagogia da Unidade Acadêmica de Educação a Distância e Tecnologia. Orientador(a): Prof.(a) Jacqueline Santos Silva Cavalcanti. Recife, 2021 DOCÊNCIA E AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM EM TEMPOS DE PANDEMIA Naylis Nogueira (1º autor/estudante autor do TCC) Licenciatura em Pedagogia UAEADTec/UFRPE Universidade Federal Rural de Pernambuco/UFRPE naylis.nogueira@gmail.com Júlia Sales (2º autor/estudante autor do TCC) Licenciatura em Pedagogia UAEADTec/UFRPE Universidade Federal Rural de Pernambuco/UFRPE juliavictoria.vivi@gmail.com Jacqueline S. Silva-Cavalcanti (3º autor/professor orientador do TCC) Licenciatura em Pedagogia UAEADTec/UFRPE Universidade Federal Rural de Pernambuco/UFRPE jacqueline.silva@ufrpe.br RESUMO É preciso reconhecer a importância dos desafios encontrados por docentes na luta para uma educação mais significativa durante a situação pandêmica, que tem como urgência repensar as medidas conceptivas, mas extensas na prática pedagógica, neste sentido esta pesquisa está voltada a acompanhar e compreender as práticas em ambientes virtuais, que precisaram ser adaptadas a partir das necessidades dos métodos de ensino no contexto da pandemia COVID-19. Tendo como objetivo avaliar a percepção dos professores do ensino médio quanto às adaptações ao ensino remoto emergencial através de seus relatos de experiências, com suas práticas e métodos utilizados em modalidade remota no momento de isolamento social (compreendendo o último semestre de 2020 e primeiro semestre de 2021). A pesquisa foi realizada no Estado de Pernambuco, do ponto de vista da problematização da pesquisa em tela, priorizando adotar a abordagem qualitativa. Os docentes das escolas públicas estaduais e também da rede privada que ministram aulas no Nível Médio foram os elementos componentes dessa pesquisa educacional. Para tal, como modalidade utilizou-se pesquisa bibliográfica que explora e analisa a qualidade da educação. A medida da situação enfrentada encontra-se em uma linha entre preservação da vida, necessidades sociais e a valorização de profissionais na atualidade, visando o desenvolvimento de soluções tendo em consideração todas as dificuldades encontradas e olhando para realidade educacional na busca do entender os valores, limites e fragilidades para compreensão de novos tempos que todo o mundo e cenário educacional vêm enfrentando. Palavras-chave: Prática pedagógica, ferramentas educacionais e isolamento social. mailto:naylis.nogueira@gmail.com mailto:juliavictoria.vivi@gmail.com INTRODUÇÃO O papel do docente é direcionar a formação dos alunos para que os mesmos possam refletir, investigar e gerar conhecimentos a partir da ação e prática pedagógica, preparando-se para atuar frente aos desafios contemporâneos superando-os diante a pandemia causada pela (COVID-19) que segundo Martins e Mendes (2020) fez com que a tecnologia ganhasse espaço junto com o uso da internet e necessidade de alinhar a prática pedagógica a esse contexto. Os professores precisaram desenvolver conhecimentos tecnológicos para atender o processo de ensino-aprendizagem com espaços virtuais e manter um ensino de acordo com o momento em que se vivencia incentivando um modelo de aprendizagem autônoma. Estamos vivenciando um período de pandemia em que a educação remota ganhou bastante ênfase, por ser o meio disponível para que a educação não pare de ocorrer. As aulas estão seguindo de forma remota e os professores estão se desdobrando para oferecer aulas de qualidade para seus alunos, muitos destes professores não tinham contato constante com ambientes virtuais ou até mesmo nenhum e agora estão aprendendo e se reinventando. Os cenários virtuais de aprendizagem são espaços propícios e específicos para educação quando utilizados com fins para esta intencionalidade (SANTOS., et al., 2021, p. 4). Nestes, o objetivo é voltado para criação, contextualização e direcionamento com estratégias pedagógicas. Sabemos que existem dificuldades até mesmo em aulas presenciais, dessa forma o intuito é trabalhar para minimizar essas dificuldades em meios virtuais também. Para isso, existem ferramentas que dispõem de ambientes bem elaborados objetivando interação entre alunos e professores, por meio de videoaulas, envio de atividades, fóruns, compartilhamento de conteúdos, bibliotecas virtuais e afins. Maciel (2018) traz várias abordagens sobre a educação à distância nestes ambientes virtuais, no quais são denominados AVAs (Ambientes Virtuais de Aprendizagem) mediados por TICs (Tecnologias da Informação e da Comunicação). Que agregam valor às estratégias de ensino aprendizagem até mesmo quando usadas concomitantemente com o ensino presencial, caracterizando o ensino híbrido. Nesta pesquisa vemos a importância de conhecer esses ambientes para utilização e obtenção de resultados efetivos mesmo em meio a uma pandemia, visto que os planos educacionais e de futuro seguem ativos em nossas vivências. Utilizar novos recursos é difícil quando não os conhecemos. Existe muita dificuldade por parte dos docentes quando proposto o uso de novas tecnologias para educação. Isso ocorre porque antes desse momento de isolamento muitos docentes estavam presos meramente às suas aulas rotineiras, com utilização muitas das vezes apenas do livro didático. Poucos ainda usavam algum recurso tecnológico, principalmente em escolas públicas. Porém, com a impossibilidade das aulas presenciais, a tecnologia teve expansão com as aulas remotas. Os docentes já habituados a usar alguns recursos virtuais não tiveram tantas dificuldades quanto aqueles que já não utilizavam, mas enquanto profissionais precisa haver um ressignificar em relação à compreensão e uso das oportunas ferramentas didáticas (CHIOFI; OLIVEIRA, 2014, p.2). Contudo, existem bons materiais disponíveis em portais acadêmicos que fornecem métodos e ensinamentos sobre o uso de novas ferramentas. É certo que alguns casos, como na impossibilidade de acesso à internet requerem planejamento pedagógico mais específico, entretanto vemos que a educação só tem a ganhar com a prática e integração da tecnologia atrelada às vivências de ensino. Nenhum educador deve cruzar os braços diante das fatalidades, mesmo diante da impossibilidade de mudar a sua realidade (FREIRE, 2019 p.98 ). Toda dificuldade tem como oportunidade a aprendizagem de algo novo, ensinando a quem está aberto a mudanças, e trazendo o fortalecimento e a melhoria de uma educação satisfatória. O presente trabalho se justifica pela necessidade da utilização da tecnologia e dos cenários virtuais neste momento de crise na saúde que se encontra o Brasil, as plataformas virtuais passaram a ter mais importância e com isso a aprendizagem passa por mudanças. No intuito de que essas mudanças sejam mais positivas que negativas, este trabalho teve como objetivo avaliar a percepção dos professores do ensino médio quanto às adaptações ao ensino remoto emergencial através de seus relatos de experiência. Assim, esse trabalho irá relatar as constantes mudanças enfrentadas pelos professores frente ao ensino remoto, compreendendo e se apropriando das tecnologias, trazendo para a atualidade um letramento digital, que visa atender a nova sociedade, com ferramentas digitais como arma principal para educação. REFERENCIAL TEÓRICO De acordo com Maciel (2014) a internet é um suporte que traz subsídios e propõe elementos de transformação no processo de aprendizagem Brum e Machado (2021) reforça que para isso, precisamos entender como ela funciona e como é possível nos beneficiar de seu uso para educação. Sabemos que a internet é um importante meio de comunicação, vasta e rica em saberes, e por meio dela podemos reter boas aprendizagens, basta usarmos a nosso favor, com objetivos, metas e propostas educacionais planejadas e praticáveis. “As redes sociais de internet podem favorecer o processo de ensino-aprendizagem, pois segundo as tendências educacionais da cultura atual, o ciberespaço é reconhecido como locus privilegiado para os processos de aquisição e construção do conhecimento. No ciberespaço, o processo comunicativo se intensifica e permite a vivência de um currículo aberto e flexível, em oposição à concepção de um currículo mais tradicional.” (ALLEGRETTI, Sonia Maria Macedo et al., 2012, p.54). Estes autores focam na aprendizagem por meio das redes sociais virtuais, que possui um potencial abrangente para formação, usando como exemplo o Instagram que favorece conexões entre conteúdos de forma rápida e prática. Visto que a maioria dos discentes possuem Instagram é uma ferramenta plausível para uso educacional. Machado (2014), traz questionamentos interessantes acerca da temática que estamos a estudar. Dois desses questionamentos são: que itinerários os professores que atuam em ambientes virtuais de aprendizagem construíram em seus processos metaformativos? O que esses itinerários revelam sobre as concepções, características, atitudes, projetos, potencialidades e limites da docência em ambientes virtuais de aprendizagem? Este estudo nos revela aspectos que precisam ser levados em consideração na prática virtual, visto que o docente tem um norte para exercer suas perspectivas de aprendizagem. E é no AVA e nas demais ferramentas de redes sociais que o mesmo compartilhará também de seus objetivos e planejamentos. A educação por meio da internet foi nomeada de Educação 3.0, sendo utilizada no século XXI para pensar nos processos educativos em nossos tempos. Na educação 1.0 tínhamos o padrão básico, docentes e discentes, ou até mesmo um aluno. E aí o tempo passou e foi necessária a universalização do ensino onde surge a educação 2.0, tendo o professor já com dezenas de alunos, nestes dois cenários sendo o docente detentor do conhecimento (Okada, A., & Barros, D. M. V. 2013). Conforme nota do Sistema FIEP (2020), a educação 6.0 é a educação da contemporaneidade, compreendendo o transdisciplinar e com foco para além do desenvolvimento do ser com uma vertente ecocêntrica, onde é a favor de todas as formas de vida. E aqui estamos nós num mundo que muda constantemente, inseridos na necessidade do conhecimento junto à internet, onde o docente é mediador e o discente mais autônomo. Ainda assim, não esperamos apenas por um grupo que esteja ligado às redes. Mas conectados com um fim, com o compromisso e responsabilidade de aprender para melhorar vidas, termos futuros profissionais capacitados e aptos para ajudar e contribuir para sociedade como um todo. “O uso das tecnologias contribui tanto para um crescimento quantitativo quanto para um processo de ensino aprendizagem inovador, contextualizado, empreendedor, dinâmico e flexível que maximiza os tempos de aprendizagem que estamos vivenciando bem como uma pedagogia onde o aluno é autor de sua história”. (Filatro, A. C., & Mota, N. T. D., 2013, p.109) Esse pensamento remete ao fato de o professor mediar virtualmente e não entregar ao aluno uma receita pronta com algo que ele já espera. Mas propor mais espaço para o aluno buscar e aprender. Neste mesmo sentido, Moreira e Monteiro (2010) trás que “Ultrapassada a fase dos receios, o professor terá que compreender qual é o seu papel. Terá de perceber que, mais do que uma fonte de informações, deverá ser um guia, um facilitador de aprendizagens.” Que precisa conhecer e também mediar os conhecimentos dispostos na internet. Para isso, os cenários virtuais e mídias são ferramentas que irão auxiliar o docente em seu papel. Visto que assim como dito por Mendonça (2014), às práticas pedagógicas utilizadas à distância precisam levar em conta as tecnologias existentes e oferecer as práticas de educação mais adequadas para o aprendizado. METODOLOGIA Este trabalho trata-se de uma pesquisa quali-quantitativa por buscar compreender o cenário atual para os docentes residentes e atuantes em escolas da mata-sul de Pernambuco, entrevistados por autorização expressa em termo de consentimento (TCLE). Para conhecer seus contextos a partir disso explicar e interpretar o uso dos cenários virtuais e ferramentas digitais com suas possíveis atribuições ao processo de ensino remoto durante o período de isolamento social. Para tal, foi considerado como base o trabalho de Coelho (2020). O período de pesquisa e embasamento teórico iniciou em junho de 2020 e nos meses de Maio e Junho de 2021, ocorreram as entrevistas por meio de formulário eletrônico e ainda Whastapp com dez professores entrevistados. Entende-se que essa pesquisa é de natureza aplicada, por buscar novos conhecimentos e práticas aplicáveis ao nosso contexto de pandemia. E ainda, de caráter exploratório visto que é algo “novo”, no sentido de não ter sido algo planejado em longo prazo, mas como visto, o ensino remoto surgiu da necessidade momentânea por conta da crise na saúde que afetou também a educação. Em relação aos procedimentos técnicos, é uma pesquisa participante direcionada aos docentes de escolas públicas estaduais e privadas de Pernambuco. Visando avaliar a percepção deles frente aos desafios de adequações tecnológicas durante o ensino remoto em suas práticas docentes. O método científico/ caminho sistemático utilizado foi o hipotético dedutivo visto que temos a identificação de um problema e formulamos hipóteses viáveis para auxiliar os docentes na utilização dos recursos tecnológicos em suas práticas. Contextualizando as etapas: � Pesquisa sobre o referencial teórico que fundamentou a vivência dos professores, durante as aulas remotas; Foi uma pesquisa de caráter descritivo e exploratório, na qual iniciamos o trabalho conversando com alguns docentes por meio das redes sociais e realização de formulário do Google para auxiliar neste estudo, objetivando entender as vivências docentes nesse momento de pandemia, se produtivo, quais entraves... No intuito de entender a dinâmica da tecnologia e aulas remotas ou até mesmo híbridas para eles, e a partir disso, foram avaliados e pontuados como positivos e negativos. � Recorte dos exemplos e vivências dos professores com o uso de ferramentas digitais; Diante do exposto foi realizada uma avaliação de quais plataformas foram mais utilizadas, como: Google Classroom, Google meet, Zoom, Youtube, Facebook, Instagram e Whatsapp. Para então promover o uso de boas fontes visando uma utilização adequada dessas ferramentas para estimular e promover aprendizagens significativas por esses meios virtuais. � Percepção dos professores na execução com o uso das tecnologias digitais, na experiência durante a mediação pedagógica das aulas remotas. Também avaliamos os posicionamentos dos docentes em meio ao uso e adaptação nesse processo educacional emergente. No planejar e colocar em prática as metas propostas pelo Ministério da Educação em seus documentos seguindo a LDB e demais documentações a nível local. Para tal foi utilizado um questionário semi-estruturado constando de 9 (nove) questões que versavam sobre as temáticas supracitadas. Como recorte dessa pesquisa, foram entrevistados apenas os professores do ensino médio de escolas públicas e privadas. O formulário foi enviado através do aplicativo WhatsApp. Desta forma, o trabalho visou também encontrar avanços e melhorias para utilizar estratégias didáticas e pedagógicas eficazes durante esse processo, nos levando a pensar nas mudanças que estamos enfrentando, sejam nas concepções de ensino e aprendizagem ou no papel do docente, nos métodos e planejamentos ou até mesmo no uso dos cenários virtuais. RESULTADOS E DISCUSSÃO De acordo com a presente análise de dados, foi possível identificar através de embasamento no referencial teórico, entre artigos, livros e dissertações como suportes na construção do entendimento de um novo modo de aprendizagem, o ensino em diferentes aspectos e características que se adaptam às mudanças e inovações do contexto pandêmico no ambiente virtual. Neste sentido, Martins e Almeida (2021) caracteriza a educação no momento como uma transposição didática emergencial da educação presencial tradicional para as redes. A pesquisa nos mostra diferentes pontos de vista sobre os desafios da educação, identificando mudanças de horizontes tendo o ensino híbrido e a educação à distância como um futuro real e atual, que nos leva a rever os padrões educacionais e métodos interligados a tecnologia em sala de aula, seja ela virtual ou presencial. Como alvo de discussões, Gatti (2020) diz que um dos pontos básicos da aprendizagem será escolher o que é essencial para os alunos aprenderem e quais caminhos de aprendizagem seguir. Este ponto será uma provocação para os professores e todos os envolvidos na construção de uma educação pertinente. Lembrando da necessidade em considerar o tempo e o espaço de aprendizagem necessitando focar no que é realmente importante, e em métodos que garantam um desenvolvimento cognitivo mais flexível, permitindo a aplicação na descoberta de novos conhecimentos. Para nosso estudo contamos com a colaboração de professores voluntários do nível médio, todos concordando com o termo de consentimento (Anexo 2) disponibilizado e declarando ter livre interesse em participar da presente pesquisa. Figura 1 – Rede de ensino Figura 2 – Tempo de atuação docente Fonte: Google Forms (adaptado pelo autor). Conforme é possível observar na figura 1, cerca de 71,4% dos professores voluntários são de rede pública e apenas 28,6% de rede privada. Na figura 2 observa-se que mais da metade desses docentes atuam em sala de aula com a porcentagem de 57,1% há mais de 15 anos, outros 28,6% estão em sala há mais de 2 anos e por último 14,3 % estão atuando há cerca de 1 ano ou menos. Observamos um perfil frente à mudança para o ensino remoto em duas formas: de forma inicial como um desafio e depois ao longo da adaptação com a realidade escolar, como aprendizagem. De acordo com alguns relatos obtidos, um dos grandes dramas da atual realidade escolar, está sendo a adaptação ao ensino remoto, os professores se viram obrigados a assumir uma metodologia com um contexto totalmente tecnológico, por vezes sem absoluta experiência. Machado (2014) afirma que uma das dificuldades relacionadas a aprender novos elementos escolares está na impotência dos professores ao lidar com os problemas educacionais, que acabam os desmotivando e levando a uma exaustão pedagógica. Sobre essa vivência de forma remota um dos professores assim se expressou: “A experiência com o ensino remoto tem sido bastante desafiadora. Sabemos das desigualdades sociais em nosso país, isso afeta muito a comunidade escolar. O fato de não conseguir alcançar todos os alunos da mesma forma, é complicado demais. Grande parte do público de alunos na instituição é da zona rural então, precisamos adotar várias metodologias para tentar alcançar a grande maioria dos estudantes, seja com atividade impressa ou pelas ferramentas tecnológicas. Somando a isso, tem sido gratificante. De certa forma você vê que o seu trabalho não é em vão, e o quanto esses alunos precisam se sentir acolhidos pela escola nesse momento tão difícil.” (P7, rede pública, 1 ano ou menos de atuação). Ressalta-se que esta resposta se refere às experiências vividas no momento atual, os docentes precisam lidar diariamente com várias situações devido a ausência das aulas presenciais, ou seja, reinventar e ressignificar seus planejamentos, com o uso das tecnologias digitais da informação e comunicação (TDIC) para que as aulas sejam de forma que não perca o sentido do conteúdo, pelo contrário, possa criar oportunidade e maior interação entre professor e aluno, mesmo que diante das inseguranças. “Mediante ao fato de que todo esse movimento tecnológico tem modificado as formas do homem comunicar, adquirir/disseminar informações e consequentemente suas relações sociais, devemos pensar: como tem ocorrido a inserção das tecnologias para o desenvolvimento do ensino remoto no Brasil, e como ela poderia ser? O professor tem um papel primordial ao criar invenções cotidianas que subvertem a lógica massiva imposta. Sabemos que as dificuldades são inúmeras: a desvalorização da profissão docente, as dificuldades psicológicas e de saúde, a exclusão digital de grande parte da população do Brasil e tantos outros entraves que a educação brasileira passa em dias comuns e agora, em maior potência, com a pandemia”. (MARTINS; ALMEIDA, 2021 p. 220). A inovação é uma das bases que motivam as transformações, a tecnologia é a ferramenta que possibilita a quebra de barreira entre ensino e distância, trazendo uma aprendizagem por meio de experiências reais que por vezes ocorreu de forma tradicional e precisou avançar e mudar, outros dois docentes descreveu em relação à mudança abrupta para o remoto que: “De início muito difícil, atípico. Mas, aos poucos fui me reinventando, buscando meios que pudessem favorecer o meu alunado ``.(P2, rede pública, mais de 10 anos de atuação). “No começo, um pouco assustadora devido ao novo/desconhecido. Depois fui me adaptando e agora acho bem tranquilo.”. (P1, rede privada, mais de 10 anos de atuação). Os desafios são reais, permanece ainda uma dificuldade de adequação não só nos instrumentos tecnológicos, como também na preparação dos professores para o uso dessas tecnologias relacionando ao cotidiano escolar, pois ainda não possuem o domínio das habilidades, para aplicar uma maneira eficiente que facilitem o ensino-aprendizagem por meio da comunicação, nesse contexto Cruz, et al. (2020) destaque que: “Dificuldades de adaptação ao modelo de ensino remoto são naturais e deverão ocorrer de forma ainda mais acentuada no Brasil, uma vez que o uso consistente de tecnologias ainda tem presença muito tímida nas redes de ensino. Exemplos de obstáculos existentes são o desconhecimento sobre a qualidade da maior parte das soluções disponíveis, a pouca familiaridade dos alunos e profissionais com as ferramentas de ensino a distância e a falta de um ambiente familiar que apoie e promova o aprendizado online. Dessa forma, é bem provável que, quando o período de distanciamento social tiver fim, os estudantes apresentem lacunas significativas de aprendizado (entre outras questões)”. (CRUZ, et sl. 2020 p. 7) Tendo claras respostas sobre o que os docentes vêm enfrentando durante a adaptação do novo modo de ensino, um outro ponto norteador dessa pesquisa foi identificar se os professores já tinham contato com recursos tecnológicos para a aplicação de aulas anteriormente. A fala de um dos professores ressaltou que: “Sim, a escola dispõe de alguns poucos equipamentos tecnológicos mas, não era utilizado como está sendo agora, inclusive não há ferramentas suficientes para serem utilizadas por mais de um professor no mesmo dia” (P7, rede pública, 1 ano ou menos de atuação). É importante que haja uma estrutura no ambiente educacional, para o incentivo de uma aprendizagem mais independente que se conecte a um ensino remoto ou até mesmo ao ensino híbrido, a insuficiência desses materiais acaba trazendo dificuldades que possibilitem uma educação contínua dentro do isolamento social. Assim Chiof e Oliveira, (2014) colocam que a nova tecnologia permite o ensino com soluções inovadoras que ajudem a produzir resultados diferentes incluindo de forma positiva o uso desses recursos tecnológicos para melhorar a qualidade de ensino, considerando as vantagens e garantindo grande oportunidade para uma inclusão digital. Outro ponto a ser discutido foi a dificuldade em relação a manter a motivação e foco dos discentes no contexto de aulas remotas. Quando se trata da aula presencial, manter a concentração é um dos problemas que normalmente acontece, existe sempre a preocupação por parte do docente em como anda a interação, participação, quais estímulos utilizar para sanar as dificuldades dos alunos. Um dos objetivos do ensino a distância é manter estratégias que avaliem essa preocupação. Trouxemos aqui diferentes falas das professoras voluntárias, que se colocaram dizendo: “Devolutiva de atividades e em alguns momentos baixa interação dos alunos durante as aulas síncronas” (P4, rede pública, mais de 2 anos de atuação). “Conexão de péssima qualidade com a internet, celular sem espaço para armazenamento, trabalhar com meus próprios recursos sem suporte da secretaria de educação. Receber as devolutivas dos alunos no prazo hábil para serem lançadas no sistema” (P7, rede pública, 1 ano ou menos idade de atuação), . O intuito de usar a tecnologia como qualidade educacional é facilitar o processo e não atrapalhar tem como principal objetivo justamente a interação e autonomia dos alunos, de acordo com os problemas relatados pelos professores traz a necessidade de refletir, o que é necessário para introduzir os alunos de forma que tenha uma reciprocidade entre ensino e aprendizagem onde a consideração da autora Gatti (2020) lança que: “O estudo e aprendizagem de conteúdos curriculares novos em modo de isolamento, com apoios delimitados pela situação remota, dificuldades de atenção e concentração, o estresse de alunos pela situação do isolamento, por excesso de conteúdos emitidos ou de tempo dedicado diante de tela de computador ou outro aparelho digital, trocas relativizadas pelo esforço comunicativo demandado, falta do calor dos laços presenciais, entre outras situações, o estresse dos professores pela exigência rápida de novas performances, de preparação de aulas virtuais demandando mudanças em perspectivas didáticas, esforço de manejo técnico de instrumentos não habituais em sua rotina de trabalho” (GATTI, 2020 p.33) . E é nesse sentido que precisamos pensar, ir onde vemos que não funcionou tão e mudar para minimizar os entraves encontrados e assim avançar, seguir e não estagnar. Uma das questões também presente em nosso questionário foi acerca das formações pedagógicas e cursos disponibilizados, e sim todos obtiveram algum tipo de aparato em relação ao uso tecnológico proposto pelo sistema ou até mesmo por busca própria. Para assim buscar mais interação com os alunos e ter maior familiaridade junto às ferramentas agora tão utilizadas e necessárias. Dentre elas estão as descritas no gráfico a seguir. Figura 3 – Ferramentas utilizadas Fonte: Google Forms (adaptado pelo autor). Como última questão, mas não menos importante, levantamos a reflexão sobre as metodologias utilizadas que mais deram certo neste contexto pandêmico. E aqui trazemos três relatos: “Verificação de conhecimentos prévios, Apresentação dos conceitos sobre o conteúdo das unidades, Contextualização de conteúdos e Estudo em grupo. “(P5, rede pública, mais de 2 anos de atuação). “Usei slides e vídeos para apresentação dos conteúdos, os mesmos eram repassados de maneira lúdica e com participação de todos. Nessas aulas eram realizadas leituras compartilhadas, apresentação de trabalhos através de vídeos. Também a cada início de aula era realizada uma acolhida, pois em momentos tão difíceis que estamos vivendo as crianças precisam ser acolhidas, abraçadas mesmo que virtualmente”. (P6, rede privada, mais de 10 anos de atuação). “Utilizei várias ferramentas: Whatsapp, Google sala de aula, Instagram, Google Meet. A que continua dando certo é o Google Meet. (P7, rede pública, 1 ano ou menos de atuação). Notamos a importância da posição e atuação do docente frente aos desafios educacionais, em buscar conhecer e compreender as maneiras que a tecnologia pode auxiliar na sala de aula. Os ambientes virtuais de aprendizagem são essas ferramentas, que estão disponíveis com a função de superar os desafios e entraves e assim ter um ambiente atrativo e interativo com o aluno. Muitos professores passaram a utilizar o Google sala de sala (100%), usar também o meet para seus encontros (100%) , usar o instagram (14,3%) e whatsapp (85,7%) por serem de fácil acesso aos alunos, e criar através destes um laço com o aluno na perspectiva da afetividade educacional, colaboração e aproximação dos alunos. (Brum & Machado, 2021). Ferramenta emocional também primordial aliada aos novos recursos (Lima, 2020). O governo do estado de Pernambuco via nota da Secretaria de Educação e Esportes do estado, por exemplo, criou um ambiente virtual para docentes e discentes (AVA Educa-PE), com uma interface interativa e necessária ao contexto alinhado ao currículo de Pernambuco, oportunizando materiais de apoio pedagógico e também aulas abertas via Youtube. E como já vimos a princípio, houveram muitas dificuldades no contexto educacional que na verdade afetou o mundo todo, mas que hoje estão sendo superadas, então sim, é possível avançar e oferecer educação de qualidade aliada às necessidades e também avanços da sociedade. CONSIDERAÇÕES FINAIS Diante do exposto, o objetivo dessa pesquisa foi realizar um estudo sobre a percepção dos docentes em relação aos ambientes virtuais educacionais que podem ajudar nos desafios e transformações na educação após essa mudança abrupta de ensino que vivenciamos. Que segundo alguns estudos farão mudanças significativas na realidade da rotina de ensino, visto que o ambiente virtual sendo utilizado de forma correta propõe uma aprendizagem onde o aluno precisa ser protagonista, no buscar e ter autonomia frente aos saberes propostos, num local rico com videoaulas e conteúdos específicos e necessários para fixação e também revisão de conhecimentos. O ambiente virtual proporciona à escola e ao docente uma avaliação individual dos discentes, bem como da turma e em alguns sistemas até mesmo comparando com outras escolas. E assim possibilita encontrar pontos positivos e também onde precisa melhorar para criar outras estratégias de aprendizagem. O Google sala de sala é uma proposta de AVA utilizada também como ferramenta que deu muito certo, por união das propostas com um sistema complementar de aprendizagem, Constatamos que a educação à distância e até mesmo híbrida como agora, por meio de ambientes virtuais podem ser as “novas” fases para a educação avançar com a tecnologia frente às mudanças vividas nos últimos tempos, mudanças essas que afetaram e deixaram algumas lacunas em muitas instituições escolares. Relacionar a prática pedagógica de forma eficaz e prazerosa, também é uma sugestão proposta aqui, pois devido às situações vividas da pandemia enfrentamos cada vez mais a necessidade da utilização do novo, do prático, do atrativo e do viável para a continuidade da qualidade de uma efetiva educação. Que traz adaptações contínuas por meio das transformações no cenário educacional emergente. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALLEGRETTI, Sonia Maria Macedo et al. 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Disponível em: http://www.fiepr.org.br/cpce/cpce-participa-de-dialogo-sobre-a-educacao-6-2-18479-4 51511.shtml http://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/revdia http://www.fiepr.org.br/cpce/cpce-participa-de-dialogo-sobre-a-educacao-6-2-18479-451511.shtml http://www.fiepr.org.br/cpce/cpce-participa-de-dialogo-sobre-a-educacao-6-2-18479-451511.shtml ANEXOS Anexo - 1 Figura - 4 Formulário: https://forms.gle/ctFES5qWVkQWBmQYA Fonte: Google Forms (adaptado pelo autor). Anexo 2 https://forms.gle/ctFES5qWVkQWBmQYA Figura - 5 Termo de consentimento. Fonte: Google Forms (adaptado pelo autor).